Trem difícil é esse que passa dentro da gente
E se esparrama no pensamento
E pensamento é língua, aprendizado
Que vêm lá dos antepassados
Faz marca na pele igual tinta no papel

Que forma letra
Que forma palavra
Que forma texto
Que forma história
Que forma mundo

Que forma a forma de ver o mundo
Forma a forma de ver a si mesmo
As marcas são feitas com ferro quente
Queima e faz doer

Entorpece a nossa pele, a nossa história
O pensamento, e tudo que vem dentro
A escrita é doída e pra ler
dói um tanto, cada vez maior

Que nem choro entalado na garganta
A gente segura um pouco, e um pouquinho mais
Pensa que dá pra segurar
Sempre mais um pouco

Trem difícil é esse que passa pela gente
Ver que felicidade não é antônimo
de sofrimento
Perceber que mais custoso que entender,
é ressignificar
Os escritos da pele e do caminhar
Reescrever no fundo do pensamento
Choro não perpetua tormento
Chorar alivia as dores
Faz entrar ar nos pulmões de um jeito gostoso
Um jeito que diz, felicidade é tentar de novo

Nome da Obra: FELICIDADE


Autor(a): ELLIZABETH ELLEN COSTA DUARTE

Linguagem Artística: Poesia

Categoria: : Categoria 4 (categoria aberta: 18 anos de idade ou mais)

Edição: 2021



Descrição da Obra

Quando tudo isso acabar, teremos ressignificado muitas coisas, como este momento que trouxe solidão para alguns e solitude para outros, e também tudo que o antecede. Foi assim que esse poema nasceu, em um momento de pausa do frenesi cotidiano, no se desmoronar com o mundo para se entender como resistência em meio ao caos e como o caos. A felicidade seria como a constante reformulação desse caos; é o tentar de novo.